Familiares de pacientes com suspeita de câncer criticam demora na transferência no PI: 'fila da morte'
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Entre a espera e a urgência: fila por atendimento oncológico gera apreensão em famílias
Familiares de pacientes com suspeita de câncer internados no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) criticam a demora na transferência para unidades de referência, como o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI). Uma das pacientes, de 58 anos, está há mais de uma semana no HUT.
Segundo o advogado Wallyson Soares, especialista em direito médico e que acompanha as famílias, a fila de regulação chega a cerca de 40 pacientes. “A legislação dá um prazo de até 30 dias para diagnosticar e começar o tratamento oncológico, senão não consegue reverter a doença, que é muito agressiva”, afirma o advogado.
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Em nota, o HU da UFPI informou que tem 25 leitos na área de oncologia — todos ocupados na manhã desta quinta-feira (7). “À medida que eles são desocupados, a unidade hospitalar disponibiliza à Prefeitura [de Teresina], responsável pela regulação dos leitos”, disse o hospital.
“O hospital tem ciência das necessidades da população e tem reunido todos os esforços para reduzir o tempo de espera na fila do SUS em relação aos serviços de saúde ofertados. Entretanto, é importante ressaltar que o hospital tem cumprido o pactuado e cabe à Prefeitura a oferta e a organização de vagas para atender à população”, destacou o HU.
Outra crítica das famílias é a falta de médicos especialistas, como urologistas, para tratar os pacientes com suspeita de câncer no HUT. Procurado, o hospital afirmou que não é referência para tratamento oncológico e inclui os pacientes no sistema de regulação quando identifica essa necessidade após avaliação médica, investigação diagnóstica e estabilização clínica.
“As pacientes encontram-se assistidas pela equipe multiprofissional do HUT, com suporte clínico adequado às suas condições, e já estão devidamente cadastradas na Central de Regulação para transferência ao Hospital Universitário, unidade de referência para oncologia. No momento, eles aguardam disponibilidade de vaga deste hospital federal, conforme critérios regulatórios”, completou o HUT.
Relatos de familiares
Maria do Rosário Freitas da Silva, de 58 anos, está no Hospital de Urgência de Teresina desde 29 de abril. Segundo a filha dela, Jordana da Silva, a mãe começou a sentir fortes dores abdominais e terminou com o diagnóstico de neoplasia — mais conhecida como tumor.
“Ela começou com sintomas virais, mas não tinha febre. Fomos a vários hospitais, ela ficou por oito dias no Hospital do Buenos Aires e teve alta em 3 de abril. Nesse período, só piorou. Desenvolveu uma grande ascite (acúmulo de líquido na barriga) e recorremos a hospitais privados para fazer a drenagem e ela conseguir pelo menos respirar”, contou Jordana.
Até a publicação desta reportagem, a mãe de Jordana estava na 14ª posição da fila de regulação para o Hospital Universitário. “De lá para cá, ela perdeu 14 kg. Aqui [no HUT] ela está recebendo os cuidados, mas precisa do HU. Eu estou clamando por essa vaga, minha mãe tem direito a essa vaga”, disse a filha de Maria do Rosário.
Outra paciente que aguarda transferência é Ana Lúcia Marques, de 52 anos, que chegou ao HUT no domingo (3). O filho dela, Kelvin Marques, explicou que ela descobriu um acúmulo de líquido na pelve e, depois de uma série de exames, veio o diagnóstico da neoplasia.
“Antes de retornar ao médico ela teve uma crise e foi para a urgência, onde fez tomografia e viu que tinha uma mancha gigante. Há três dias estava com 13 cm e hoje se encontra com 15 cm”, apontou Kelvin. Até a última atualização desta reportagem, ela estava na 7ª posição da fila.
O filho de Ana Lúcia disse que o tumor começou a danificar os órgãos vitais, como os rins, o que a levou a iniciar o tratamento de hemodiálise. “Eles deveriam mandar logo [para os hospitais de referência], é desorganizado. Chamamos de fila da morte", desabafou.
Confira as notas:
Hospital Universitário (HU)
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh) informa que, na área da oncologia, dispõe de 25 leitos, todos ocupados na manhã de hoje. À medida que eles são desocupados, a unidade hospitalar disponibiliza à Prefeitura, responsável pela regulação de leitos.
O HU-UFPI atua na condição de prestador de serviços, observando rigorosamente normas, fluxos e critérios definidos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital tem ciência das necessidades da população e tem reunido todos os esforços para reduzir o tempo de espera na fila do SUS em relação aos serviços de saúde ofertados. Entretanto, é importante ressaltar que o hospital tem cumprido o pactuado e cabe à Prefeitura a oferta e a organização de vagas para atender à população.
Hospital de Urgência de Teresina (HUT)
O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) esclarece que não é referência para tratamento oncológico e não dispõe de serviço especializado de oncologia clínica. Há casos em que esses pacientes chegam sem diagnóstico definido ou necessitando de estabilização imediata. Após avaliação médica, investigação diagnóstica e estabilização clínica, quando identificada a necessidade de tratamento oncológico especializado, os pacientes são inseridos no sistema de regulação para as unidades de referência da rede.
Em relação aos casos mencionados, as pacientes encontram-se assistidas pela equipe multiprofissional do HUT, com suporte clínico adequado às suas condições, e já estão devidamente cadastradas na Central de Regulação para transferência ao Hospital Universitário, unidade de referência para oncologia. No momento, eles aguardam disponibilidade de vaga deste hospital federal, conforme critérios regulatórios.
Informamos ainda que a nossa referência em Teresina para oncologia é o Hospital Universitário e Hospital São Marcos, conforme perfil de cada paciente.
Familiares de pacientes com suspeita de câncer criticam demora na transferência em Teresina
Pablo Silva/TV Clube
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